18 de jan de 2011

A mesma.

Bruna não queria que Vitor fosse embora da sua vida naquele dia. Se fosse outro dia, ia doer um bocado, com certeza Mas, naquele dia a dor era muito maior. Eu não queria falar “tchau” de jeito nenhum. Então, o abracei.
            - Você fica tão bonito com essa roupa, parece até adulto. – ele ri.
            - Eu pensei que você não gostasse desse uniforme...
            - Um lado meu não gosta mesmo, me dá medo pensar em você lá em cima, controlando aquela máquina cheia de botões. – ele ri novamente.
            - Você é ótima! E, outra, tudo bem sentir medo, é normal! – beija-a suavemente e começa a ir embora.
            - Vitor, me promete uma coisa?
            - O que, Bru?
            - Promete que você se cuida enquanto estiver lá?
            - Eu sei me cuidar, tanto que eu cuido de você e não o contrário, né?
Bruna sorri e deixa Vitor partir. O coração da garota está muito apertado e uma sensação ruim, como se nunca mais fosse ver o seu primeiro amor na vida, tão alarmante que ela sentia náuseas.
            Os dias se passaram, ela esperava notícias de Vitor, mas nada. Ligava para a mãe dele e ela também não sabia de nada. Ela tinha prometido cuidar do apartamento dele, porque ele não sabia quando voltava. Lá, no quarto dele o seu celular toca.
            - Bruna? É Sônia, mãe do Vitor.
            - Oi, tudo bem com a senhora?
            - Na verdade não.
            - Como não? O que acont...
            - O Vitor faleceu, minha filha.
            Lágrimas, gritos desesperadores.
            Depois dessa ligação as horas se arrastaram, Bruna não lembra de nada, até o momento de vestir qualquer roupa e ir ao enterro de Vitor. Pegou nas mãos gélidas de Vitor, ali deitado, imóvel, mais parecendo uma escultura. Então, deixa cair a primeira lágrima lutuosa.
            De repente, acorda, assustada, desesperada. Pula da cama, confere as horas e entende que foi só um sonho, um sonho ruim e passageiro. Mas a realidade não era tão confortante assim, seu amado estava vivo mas estava longe.
            Afinal, ele era o namorado só na cabeça dela. A dor de tê-lo longe ou morto era a mesma. 

Inspirado em: A Bailarina e o Astronauta - Tiê (vídeo)

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