26 de dez de 2010

Amiga.

Você pode não perceber mas eu sinto falta da amiga que você foi pra mim. Você me fez crescer muito, menina. Pena que a pessoa que você se transformou eu desconheço. Foi tão mágico como nos tornamos amigas, mas eu mudei, você mudou e não tínhamos nada mais que nos assemelha. Eu queria voltar no tempo pra dividir momentos com você, e principalmente lágrimas. É estranho pra mim ter que admitir para as outras pessoas que eu tentei, mas não consigo mais te ter por perto. Que nunca mais nosso abraço será sincero e que trabalhar contigo é uma obrigação, um peso e não um momento de felicidade como antes. Desculpa se meu orgulho foi maior que tudo, seja feliz, do seu jeito.

25 de dez de 2010

- Eu senti saudades de você.
- Se você tivesse realmente sentido saudades de mim você tinha me procurado. Você podia isso.
- Você não sentiu saudades de mim?
- Não. Eu só fiquei procurando o seu sorriso em outros corpos, em outros rostos. E não podia fazer nada com isso.

Silêncio.


Inspirado no Cd The Black Parade do My Chemical Romance. 


p.s: Feliz Natal e prosperidade pro mundo.

13 de dez de 2010

Despedida.

- Vai embora! Assim, você começa a aprender a viver sem mim!
- Clara, não! Não me faz perder você, antes de você ir embora.
Clara, tentava ao máximo não se render ao pedido de Erick, afinal, ela fazia isso pro bem dele, pra ele não sofrer, ele nem imaginava o quão triste foi assinar aquele contrato e como foi difícil se despedir do homem da sua vida. Mas além de tudo isso, ela teria de ser cruel, senão, João nunca sairia de sua vida.
- Erick, por favor! Me solta! – em seus pensamentos rezava para que ele a obedecesse, mas ele lutaria até o fim pra passar mais tempo com sua namorada.
- Clara, minha menina! Por favor, você ainda tem três meses no Brasil, fica comigo nesse tempo.
- Erick, eu já disse que não! – empurra o menino e sai correndo sem olhar pra trás, com a primeira lágrima começando a molhar sua bochecha esquerda.
            Erick não agüenta, não entende tudo isso. Ele quer que ela siga seu sonho, mas não admite um distanciamento antes do tempo, afinal, ela o ama ou não? Com essa pergunta, perturbando-lhe a mente, sai correndo desesperado atrás da menina, quando dá por si, está segurando o braço direito da menina com muita força.
            - Ai!
            - Me fala, olhando nos meus olhos que você nunca me amou?
            - Larga o meu braço, você ta me machucando! – desviando os olhos daquele olhar que só buscava amor, carinho e certezas.
            O rapaz solta seu braço, mas a abraça, ajeita o cabelo da moça que se derrama em lágrimas vergonhosas.
            - Por que, Clara? Por que você quer desistir de ser minha menina assim? Eu vou te esperar, eu... – Clara, coloca a mão na boca do namorado, impedindo-o de realizar promessas impensadas.
            - Porque eu te amo, menino! Eu não quero te fazer sofrer, eu quero te ver feliz!
            - Como eu vou ser feliz com a minha menina, a mulher da minha vida indo embora? E além disso, querendo me privar dos últimos momentos com ela. – choros, afagos e consolos de ambos.
            - Eu não quero te machucar, eu queria que você se acostumasse com a minha ausência. Mas eu volto, para de falar como se eu estivesse morrendo.
            - Não ouse tocar nessa palavra.
            - Eu te amo, Menino.
            - Eu te amo, Menina.
            Foram três meses sem um se desgrudar do outro, Erick ficava muito feliz por Clara ter conseguido o seu sonho e ter tido coragem de deixar tudo pra ir morar fora do país, sozinha. Clara começava realizar seu sonho de criança, era tão mágico isso pra ela, mas por que tinha que ser logo agora que encontraste o homem da sua vida? Por que as coisas na vida dela não acontecem uma de cada fez?
            Estava terminando suas malas quando sua avó avisa que Erick chegou, era o dia da viagem e eles preparam uma despedida, um escondido do outro. Por mais que repetisse para si mesmo e para o namorado o quanto o amava e que ela voltaria logo, aquele aperto, aquela sensação de perda eterna a dominava.
            - Mãe, to indo com o Rick! A gente se vê no aeroporto!
            No carro, ele a levava para a viagem que mudaria a vida dos dois de uma maneira drástica e súbita. Porém, ambos não tinham a dimensão do que o futuro lhes proporcionava.
            - Prefiro terminar logo com isso, to quase tendo um treco aqui, juro não dá! – os dois riem do desabafo dela.
            - Tudo bem! Eu fiz algo pra você – pega um embrulho – Espero que você goste, é pra você nunca se esquecer de mim.
            - Me promete uma coisa? – ele aceita com um gesto – Promete que daqui uns anos você vai contar pros seus filhos quem eu sou, quem eu fui?
            - Com certeza eu conto pra eles quem é a mãe deles.
            - Rick, você é lindo demais, eu te amo. – acaricia o rosto do amado, buscando registrar aquele rosto pela última vez – posso pedir outra promessa então?
            - Isso já ta virando abuso. – a garota ri sem graça – To brincando, pode pedir você sabe que eu vou prometer tudo. – beija a menina.
            - Promete que você segue sua vida? Constrói algo sem mim, casa-se, tem filhos? – nesse momento o garoto repete aquele gesto de impedi-la de falar, como ela lhe havia feito naquele dia.
            - Para! Vou fingir que você me pediu isso, eu nunca, nunquinha faria isso!
            - Mas Rick...
            - Shhhiiii! – Abra!
            Na caixa havia fotos, cartas, recordações daqueles 1 ano e 8 meses de namoro. As lágrimas insistiram em correr sobre o rosto da garota, o menino se guardou suas emoções e enxugou as lágrimas da amada. Beijou-a suavemente.
            - Essa aqui você leia no avião, ta?
            - Fica com o ursinho, vai! – aquele presente bobo que ela insistia em dizer que era a cópia do namorado não podia ficar com ela.
            - Não! Me devolva quando você voltar, deixe na sua cama. – a garota obedece, guarda tudo e tira da bolsa um envelope.
            - Abra depois... – seu telefone toca, era sua mãe avisando que já tava na hora de sair do carro e ir se despedir das outras pessoas – Precisamos ir.
            Ambos saem do carro inconsoláveis, com uma tristeza no olhar mas continuam caminhando. Quando chegam no local determinado, avistam muitas pessoas, algumas vão abraçar Clara, outras apenas olham e comentam baixinho com alguém ao lado.
            Clara inicia um dos momentos mais conflituantes de sua vida. A despedida. Despede-se dos amigos, deixando aqueles que a saudade gritarão mais por último. Depois a família, seus afilhados. E, por último, Erick. Porém, quando foi abraçá-lo, viu lágrimas correr daqueles olhos verdes.
            - Um homem chorando feito uma criança de colo? Como assim? – o abraçou e sussurrou em seu ouvido: Não faz isso comigo, por favor! Assim eu não tenho coragem de ir embora.
            Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, tentando ver os detalhes daqueles olhos perfeitos pela última vez. A garota, retira a aliança de sua mão e depois da mão dele, segura as duas na mão esquerda. Erick e toda a “platéia” olham a ação sem entender nada.
            - O que você ta fazendo Clara? – a garota vira de costas, ajeita o cabelo.
            - Tira a minha corrente, me dá agora!
            Coloca as alianças junto com a corrente, fecha-a. E, segurando o pingente de bailarina diz:
            - Cuida de mim! – segura as alianças – E, cuida da gente! Só me devolva isso quando eu voltar! Nunca esqueça que eu te amo, muito mais do que um dia eu pensei que era capaz.
            Se beijam e a garota sai em direção ao vôo.

11 de dez de 2010

Certa vez...

Uma moça estava andando apressadamente, saindo da sua aula, correndo para não se atrasar na reunião de grupo de mais um trabalho acadêmico. Por um quase meio instante lembrou de como tinha pesadelos com isso, com uma instituição acadêmica, a tão idolatrada “Universidade” que sua mãe insistiu em passar falando e comentando desde que a moça nasceu. Esse tempo foi o suficiente para trazê-la o segundo maior estrago de sua vida, tropeçou em seu próprio pé, como era de costume, e deixou cair seus trabalhos, seus cadernos e livros, atitude que não era tão de costume assim.
Quando levantou carregando e ajeitando tudo trombou com alguém, saiu pedindo “desculpas” sem ao menos olhar pra trás, sentiu-se presa. Por que seu braço direito ficou há 10 segundos do passado, enquanto todo o resto de seu corpo já estava no futuro um tempinho? Vira-se, vê uma mão grande, masculina, ajeitando seus trabalhos, seus cadernos e livros. Fita-o. A recepção daquele olhar lhe assustou um bocado.
 – Desculpa, pensei que você fosse outra pessoa. Nossa! To enlouquecendo, vocês nem se parecem!
- Tudo bem, eu devo ter um rosto bastante comum mesmo. – ali, com esta resposta cavava um futuro de lágrimas, incertezas e revoltas.
O rapaz a vigiou na semana seguinte, descobriu seu curso, seus gostos, seus interesses, rondou seus amigos de faculdade e, então, numa fria quinta-feira se reaproximou da jovem moça, se reapresentou e tentou ser seu amigo.
Dali, notaram que em 98% das situações eram opostos.
Ela vegetariana, ele carnívoro; ele viciado em musculação e academias, ela no máximo caminhava da estação do metrô até a faculdade; ele voava como um pássaro, ela era uma árvore com raízes profundas e largas; ele militar, ela artista.  Mas os outros 2% fizeram eles acreditarem que poderia ser interessante um relacionamento dos dois.
Primeiro 1% que os ligavam: ambos acreditavam (ou ao menos queriam acreditar) que eram apaixonados pelos seus respectivos melhores amigos de infância e estavam cansados desse lado infantil e doentio neles.
 Foi fácil para ele fazê-la acreditar que os dois poderiam esquecer juntos seus amores de infância, para ela foi fácil acreditar naqueles olhos que demonstravam tanto carinho. Mas, era óbvio que essa era a desculpa mais esfarrapada que todos os seres humanos do mundo já ouviram para duas pessoas ficarem juntas.
Segundo 1% da ligação: aqueles dois sonhavam, cada um de sua maneira, é claro. Mas sonhavam. E, essa possibilidade de sonhar, de viver para um sonho os uniu, desvaneceu os 98% como o vento desvanecera os grãos de areia na praia.
Em 1 mês os dois pareciam aqueles senhores idosos que se casaram há 30 anos atrás, mas ao mesmo tempo se olham como se fosse a primeira vez, como se tivessem conhecendo aqueles olhos pela primeira vez. A moça estava radiante, pela primeira vez na vida, algo real e bonito acontecia. Nem ao menos sentia vergonha disso.
Mas, um dia juntos a moça sentiu o namorado distante, olhando para o céu, sonhando, parecia que ela nem estava ali. Ela não perguntou o que acontecia, com medo de estragar tudo, de escutar aquilo que imaginava, preferiu dedicar-se a observá-lo. Assim o fez, observou cada detalhe daquele rosto, daqueles olhos castanhos que quando a beijáva parecia gigantes com o seu próprio reflexo neles, a barba, as suas tão carinhosas mãos e o sorriso torto, singelo, sem graça quando percebeu que ela olhava-o.
Nesse momento, a moça sentiu uma dor no peito seguida de um extremo medo de perdê-lo e segurou com mais força a mão do rapaz, ele acariciou a mão da moça, suavemente, pois tinha medo de quebrá-la a qualquer instante. Para acabar com o momento silencioso e terrivelmente aterrorizante a abraçou, um abraço inesquecível para moça, mesmo depois de tanto tempo.
Assim recomeçaram as brincadeiras, aquelas bobagens de pessoas apaixonadas...
- Deve ser ruim ser tão pequena, né? – abraça-a e levantá-a.
- Você sempre fala isso, né? Eu não me importo nem um pouco com o meu tamanho, aliás, o senhor que cresceu demais, saiba que eu sou acima da média da mulher brasileira, tá? Sem contar que eu conheço mulheres muito menores que eu ....
Ele ria sem parar, adorava provocá-la e fazê-la falar um tanto de coisas sem jeito para defender algo que nem ela mesmo sabia se queria defender tanto assim. Nesse momento, ele beijou-a e a quando olhou nos olhos dela novamente, gostaria de lhe falar “Você não merece quem eu sou, você é bonita demais, inteligente demais pra mim, por favor, vá atrás de outro alguém”.
Mas, pelo contrário, tirou o cabelo do rosto dela levemente, e :
- Ainda bem que eu te encontrei aquele dia toda atrapalhada na porta da faculdade. Obrigada por conseguir mudar o rumo da minha vida. – beijou suavemente aqueles lábios – Você é linda.
Claro, que ela ficou corada, sem graça, não sabia lidar com elogios, muito menos com o que tinha acabado de escutar, apenas sorriu timidamente. Apesar da enorme vontade que tinha de dizer que ele tinha mudado tudo na vida dela. E, ele entendeu a besteira que havia cometido. Ela fugiu disso tudo, dizendo que tinha que ir embora e ainda frizou que dentro de 15 minutos a aula dele começaria.
Deste dia, então, passaram três dias de uma amargura e uma dor no peito, choros e mais choros por parte dela. Ele sumiu, ela não o encontrava em lugar nenhum, parecia que ele tinha evaporado junto com aquele lindo dia vivido. Ela que nunca admitiu chorar por homem nenhum, mal se alimentava, se arrastava pelos corredores da universidade, abandonou as lentes de contatos pois seus olhos viviam inchados de tanto chorar pela madrugada, ou nos intervalos para as amigas.
Daí, ele deixa uma mensagem com uma de suas amigas pedindo para que ela se encontre com ele. Não consegue disfarçar o sorriso aliviado. Mesmo sentindo que nunca mais o veria como aquele dia, que algo tinha acontecido e ela teria o perdido.
Ela chega.
Espera o habitual cumprimento.
Recebe um beijo na bochecha frio que lhe arrancou 1/3 do seu coração.
Ele inicia o diálogo, sem coragem de encará-la realmente.
- Você ta bem?
- Acho que sim e você? – observa e sente que ele esconde uma felicidade que não é dividida com o seu universo.
- To bem.
Silêncio brutal e pecaminoso.
Ela estava machucada demais e com o ego ferido demais para continuar aquela conversa.
Simplesmente o observava, como aquele dia.
Porém, hoje seus olhos questionavam o que havia acontecido, ao mesmo tempo implorava pra ser um pesadelo e que seu despertador tocasse em seguida.
- Eu acho que lhe devo explicações. – tentou segurar na mão da moça, mas ela impediu. – Me desculpa, eu não poderia ter feito isso com você. Ta na sua cara que você ta com essas olheiras por minha causa.
Se sentir fraca, pequena e por baixo, era a pior coisa pra ela, foi assim que retrucou:
- Você me chamou aqui pra falar exatamente o que que eu não saiba? Hein?
- Então, vou ser sincero. Desculpa de novo – aquelas desculpas davam um nó no estômago da moça e uma vontade bater nele por tudo isso – É que sabe aquela menina? Aquela da minha infância que eu te falei? Então, a gente se esbarrou esses dias e ela pediu que eu voltasse com ela, eu tinha você. Mas ver aquele desejo, aquele sonho de criança podendo ser realizado na minha frente era demais, você deve entender.
- Não, eu não entendo.
- Me desculpa – mais uma náusea – Eu nem acredito que tive a chance de ter ao meu lado uma pessoa igual você. Você é linda, inteligente, sabe aquilo que quer. É o sonho de qualquer homem. Eu sei que logo logo o seu príncipe encantado de verdade aparece.
Ela nem ousou pensar em respondê-lo,afinal ela era o sonho de qualquer homem, mas ele não se enquadrava no "qualquer homem". Sentia todos os sentimentos humanos ao mesmo tempo. Não sabia o que pensar, como agir.
- Só quero te pedir uma coisa, vamos continuar sendo amigos. A sua energia é tão boa, eu gosto tanto de você, eu quero e preciso muito da sua amizade.
- Tudo bem.
A menina foi embora, chorando durante todo o caminho sem se importar com as pessoas a olhando, a achando fraca e deplorável. Afinal, ela nunca tinha se permitido coisas reais na vida, mas esqueceu-se de que a vida real não termina como nos filmes de Hollywood. 

10 de dez de 2010

Verão.

Dois meses fizeram ela virar mulher, coisa que já era para ter acontecido há um tempinho. Afinal, são duas décadas de vida, as duas primeiras, àquelas que foram base pra tudo. Todo mundo notou que algo estava diferente, ela agradecia, disfarçava, tentava demonstrar aquelas pessoas que foi só um corte de cabelo, ou o verão chegando. Mas, uma amiga de infância, aquelas que não escondem nada de ninguém (muito menos da menina que cresceu ao seu lado), sorriu, seus olhos brilharam e disse:
- Que engraçado! Você tá tão tão...mulher!
Ela disfarçou falou que era a maquiagem, o corte de cabelo, o verão...desculpas! Palavras que saem da sua boca quando quer esconder um segredo.
As amiga se despedem, se olham, ambas sabem o que aconteceu e se deliciam numa alegria continuada, mas até quando?