27 de fev de 2010

Dois André e Uma Coragem

Um senhor de meia idade que foi pai e avô precocemente, sente-se velho, enferrujado e inútil. Olha pra seus descendentes, vê a vida pulsando deles. Assim, passa um filme em sua mente e tenta recordar como era pulsar.
Em frente ao espelho, revolta-se por cada fio de cabelo branco representar uma dívida a pagar e por cada ruga uma preocupação com a tão amada e protegida família. Esquece o espelho. Ele traz lembranças pesadas demais para seus velhos ombros. Assim, vai para o almoço em família de domingo...
André (neto mais velho que carregava seu nome)durante toda a refeição fica calado e tímido. O avô, estranha. Seu neto primogênito, quase uma cópia sua, não é assim. Chama-o para uma conversa.
- O que te aflige querido?
- Ah! É que...Bom, deixa pra lá.
- Não, não! Você sabe que te entendo como ninguém – abraça o neto – Deixe o que seus pais falaram de lado. Vamos!
- Ah! É ano de vestibular, e...Eu quero ser ator. Os palcos, a atuação, a magia, tudo, tudinho me encanta, Vô! O senhor sabe disso desde que me contava histórias, quando eu era criança. – os dois riem timidamente.
- Sabe filho? Eu abandonei essa carreira por causa de uma coisa que a juventude não me permitiu, e, o meu conselho é: mãos, se eu tivesse notado o poder e o significado delas, eu estaria no Teatro, pense nisso!
- Como assim?
- Pense, meu filho, pense!
Desse dia, em diante, André, não para de pensar na conversa com seu sábio avô. Comenta com poucas pessoas e não chega a nenhuma conclusão. Infelizmente, seu avô falece. Uns disseram que por tristeza, mas, André, sabia que havia sido por amor.
No velório, André, foi o único neto a ficar ao leito e, assim, reparou em toda a sua fisionomia. Quando segura em uma das mãos, frias, gélidas e desfalecidas compreende.
Aquelas mãos lutaram, sustentaram, acreditaram, cuidaram, trabalharam, emocionaram, feriram, destruíram sonhos, construíram vidas, persistiram e protegeram quem necessitava, amaram, odiaram, respeitaram, encorajaram, pulsaram, teatraram. Assim como as de André.

Mais um que eu fiz pra aula, não sei qual ficou melhor, ou qual eu gosto mais, vai da opinião de vocês! :D A semana foi massante mas legal, ontem assisti a peça "A Francesa no Morro" outro dia eu posto mais sobre a peça e sobre a Cia "As Graças" porque, particularmente, eu adorei a peça e as meninas. É isso, gente! Até mais...beeijos

24 de fev de 2010

Entrelace

Procure algo dentro de você que defina o Teatro... Não dá para definir a minha profissão em alguma palavra, sentimento ou emoção. Penso, penso, penso mais e ... entro num turbilhão de palavras.
Inventar uma palavra seria uma boa idéia. Seria, mas não é. Afinal, quem ousaria inventar palavras? Já existem muitas, logo, eu não me atrevo.
Reparo em todos aqueles que almejam ser (ou já são) atores. E, mesmo assim, nada. Talvez o nada ou o tudo definiria o Teatro. Mas, eu gostaria de algo que definisse a loucura que nos faz guiar por esse caminho.
Assim, encontrei minhas mãos. Sim, aquelas que me são úteis para escrever. Elas representam a igualdade que buscamos. O extermínio do preconceito.
O toque, a sensibilidade, as emoções entre os profissionais. Os laços, os entrelaços, as costuras que fundem os atores. Acorrentam, quebram, destroem tudo aquilo que é obstáculo, que puxa para o comum e distancia da nossa vontade.
Sonham, amam, realizam, constrói pontes entre a verdade e a mentira. Entre o mágico e o real, o homem e o príncipe, o ator e o humano. Pulsam vida, ou seja, TEATRAM.


Eu fiz esse texto pra minha aula de interpretação com o Guilherme Santana da faculdade, era baseado no "Dizem que..." do Peter Brooke, outro dia eu posto este, também fala sobre o Teatro. Além desse tem um outro que é uma historinha, quase uma ceninha pra se montar, postarei também! É isso gente... beeeijos!

16 de fev de 2010

Vida.

Começando com o que eu penso e acho da vida.

Viver.Ciclo eterno.É tudo sempre igual, mas ao mesmo tempo diferente.É inferno, é céu. É o eterno frio na barriga atrás das coxias, são os aplausos com a reverence. Pessoas, correria, personagens e cortinas. Dores, sentimentos, desavenças, amizade e amor. Muito amor. Aprendizado, ensinamento e estudo. É tudo aquilo que almejo e não quero que chegue perto. E o principal: o medo. O medo que me move pra tudo, pra sorrir pra um amigo, pra estudar mais a Arte, pra amar, pra sonhar, pra hesitar, pra chorar, pra dormir, pra VIVER.